Mostrar mensagens com a etiqueta Ferrovia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ferrovia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de abril de 2013

Pára, escuta e olha: a linha também é Tua!

Já tinha o dvd em casa praticamente desde que foi lançado. Contudo, apenas ontem foi o momento de sentar e ver o excelente documentário de Jorge Pelicano, intitulado "Pare, Escute, Olhe", dedicado à linha do Tua. Para quem não sabe, esta linha, inaugurada em 1887, tem vindo a ser, sucessivamente, estropiada, sendo que a machadada final advém com a construção de uma barragem que irá submergir, parcialmente, a via férrea, bem como destruir toda a biodiversidade de um dos últimos rios da Europa em estado selvagem. Há uma petição em curso, que podem assinar aqui. 

Voltando ao documentário, digo-vos que foi com um constante sentimento de revolta, de raiva, de frustação, de impotência e de tristeza, que vi a destruição de um património único e de valor incalculável. E que foi com uma imensa dor de alma que testemunhei a falta de esperança no olhar dos habitantes deste vale, despojados de um meio de transporte vital nas suas vidas quotidianas. Tudo em nome de um progresso e desenvolvimento anunciados, que mais não são do que de pura ganância e jogos de interesse e poder. 


"O comboio, este comboio, morreu enforcado por uma gravata. Uma gravata de lei". 
(Jorge Laiginhas) 

Não é somente este comboio que morre, enforcado por uma gravata. Todo um país padece às mãos de cegos e maus decisores. E, por este Tua não ser uma realidade isolada, é que o desconforto ao fundo do estômago parece querer perpetuar-se por cá.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Aquele momento #2


É engraçado ouvir o meu Pai descrever as suas viagens de comboio, ali por volta dos anos 60, nos tempos em que cumpria o serviço militar. Hoje, devido ao acidente ocorrido na estação de Alfarelos, lá veio o mote para recordar, novamente, a vida daquela estação. Começa por entoar aquele "Alfareeeeeelos", extinto denunciador da chegada à estação. Depois, recorda os vendedores ambulantes: regueifa, rebuçados e água fresca. Convém recordar que naqueles tempos não havia a bordo as comodidades de hoje em dia e quem ia de viagem tinha de se precaver... Imagino que, naqueles minutos em que o comboio estacava naquela estação, fosse uma cacofonia de pregões. Era o tempo das estações vivas, apressadas, agitadas por fora e por dentro. Hoje, mesmo naquelas que continuam a receber a visita dos comboios, o ambiente é moribundo. Nunca mais me esqueço dos momentos de desconforto que passei na estação de Lousado. Parecia que tinha sido largada num qualquer lugarejo perdido no interior desertificado. Não se via vivalma, nem eram audíveis quaisquer sinais de civilização. E pergunto-me: porquê? Porque se fecham as estações a sete chaves e se retiram os colaboradores dali? Fica-se sem informações, sem estruturas de apoio, sem segurança (sim, sobretudo sem segurança). Não podiam ser estes espaços também utilizados como pontos de divulgação do país, em termos de gastronomia, de artesanato e de ofertas turísticas a nível local e nacional? Ao invés, priva-se os passageiros de espaços que são seus e, pior, fecham-se linhas de forma cega. Estou em crer que alguém anda a ver mal as potencialidades deste meio de transporte e a desvalorizar a sua importância para o desenvolvimento e sustentabilidade das regiões. Mas isto talvez seja eu que, neste assunto, não consigo separar o coração da razão.